Se existem fronteiras? É claro
que sim.
Assim como existem diferentes
culturas em um mesmo país. Diferentes sotaques. Sendo assim, vários choques culturais quando os vários
brasis, dentro do Brasil, se encontram.
Não creio que uma pessoa seja
apenas o seu sotaque.
No discurso de GABRIEL GARCIA
MARQUEZ para o Nobel de literatura, ele
diz: “os primeiros navegantes que chegaram à Patagônia colocaram um espelho na
frente de um nativo que encontraram e este perdeu o uso da razão pelo pavor da
sua própria imagem”.
Fazer uso de sua identidade(a
legítima) é uma tarefa difícil, até porque instituições não formam uma
identidade. Sejamos então como Narciso, na música de Caetano, que acha feio o que não
é espelho.
Mas tenho que confessar que realmente
alguma coisa acontece comigo quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João.
Talvez, leitor, quando tudo estiver ruim faça como Scarlet
O’Hara no filme “E O Vento Levou” e corra para sua Tara (nome da fazenda no
filme).
Não para a fazenda do seu vizinho.
E lá nas suas raízes, quando olhar para dentro de você, reconheça sua
realidade. Citando Gabriel Garcia Marquez: “a interpretação da nossa
realidade a partir de esquemas alheios, só
contribui para nos tornarmos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos
livres, cada vez mais solitários”.