domingo, 10 de março de 2013

O que o vento não leva




Se existem fronteiras? É claro que sim.
Assim como existem diferentes culturas em um mesmo país. Diferentes sotaques. Sendo assim,  vários choques culturais quando os vários brasis, dentro do Brasil, se encontram.
Não creio que uma pessoa seja apenas o seu sotaque.
No discurso de GABRIEL GARCIA MARQUEZ  para o Nobel de literatura, ele diz: “os primeiros navegantes que chegaram à Patagônia colocaram um espelho na frente de um nativo que encontraram e este perdeu o uso da razão pelo pavor da sua própria imagem”.
Fazer uso de sua identidade(a legítima) é uma tarefa difícil, até porque instituições não formam uma identidade. Sejamos então como Narciso,  na música de Caetano, que acha feio o que não é espelho.
Mas tenho que confessar que realmente alguma coisa acontece comigo quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João.
Talvez, leitor,  quando tudo estiver ruim faça como Scarlet O’Hara no filme “E O Vento Levou” e corra para sua Tara (nome da fazenda no filme).
Não para a fazenda do seu vizinho. E lá nas suas raízes, quando olhar para dentro de você, reconheça sua realidade. Citando Gabriel Garcia Marquez: “a interpretação da nossa realidade  a partir de esquemas alheios, só contribui para nos tornarmos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos livres, cada vez mais solitários”.